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Japão – Meu contato com os rockistas bizarros da terra do sol nascente

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Esse é o primeiro post sobre meu extenso e bizarro gosto musical. Talvez o primeiro de uma saga, sei lá. Difícil mesmo será lembrar em qual época eu conheci cada gênero e suas principais bandas. Vamos ver se meus vinte e poucos anos (que pra mim soa mais uns cinquenta e muitos…) me permite ter lembranças tão detalhadas de tempos passados. Me transporto para 2001, pouco mais de uma década atrás, época na qual os animes estouraram aqui no Brasil.

Geração Band Kids, TV Globinho e Bom Dia e Cia

Naquela época havia duas grandes preocupações na minha vida: Não ter notas baixas na escola pra não levar bronca e ficar de castigo e chegar em casa antes de começar Dragon Ball Z e Pokemon. (8) Posso pressentir, o perigo e o caos… Musicalmente falando, considero as aberturas de animes meu primeiro contato com o som do oriente. “Mas Lucas, essas aberturas eram versões em português…” Sim, mesmo não interpretadas no idioma original, naquela época era o mais próximo da música japonesa. Maior proximidade só foi possível cerca de anos depois, com a propagação da internet brasileira e o boom dos animes legendados.

Descendo o monte Fuji de rolimã sem freio

Em meados de 2003, a internet banda larga já era bem acessível. Graças à ela, conhecer novas culturas havia se tornado simples. Como dizia um professor na época, era como ‘viajar o mundo sem sair de casa’. Foi aí que aos poucos foram surgindo os sites de downloads de músicas, imagens e vídeos. Era possível baixar infinitas informações de todo o mundo, inclusive animes. Os famosos fansubs (grupos de fãs de animes que legendavam e vendiam conteúdo vindo do Japão no Brasil) passaram a distribuir seu conteúdo de forma gratuita pela internet, permitindo a qualquer um ter acessoa a esse material. Foi por meio desses fansubs que nesse mesmo ano, conheci ‘Naruto’ e tive acesso a minha primeira banda japa: Asian Kung Fu Generation.

Minha reação sobre aquele som foi bem estranha. A primeiro momento considerei aquilo como hardcore de fonética e idioma ‘excêntricos’ (pra não dizer bizarro paka…). Como em todo início de episódio era tocada, lá pelo quinto já estava cantando no embromation, o grude das aberturas dos animes dublados também era presente nos legendados. Em pouco tempo já havia me acostumado com aquela fonética, e junto a esse costume, nascia uma vontade imensa de consumir mais daquele som. Foi aí que mais um anime surgiu em 2006 com duas das minhas maiores referências musicais do japão: Maximum The Hormone e Nightmare. O anime? Death Note.

Maximum the Hormone é o punk metal mais alegre que já conheci. A estranha mistura de guturais, guitarras pesadas e um vocal feminino infantil torna impossível rotular qual gênero a banda pertence. Basicamente, um grupo de de punks do oriente apaixonado por metal fazendo música.

Quase 10 anos ouvindo a banda e até hoje não consigo descrevê-la. Mal sabia eu na época que a Maximum era apenas as boas vindas para a o supra sumo da bizarrice. Foi aí que apareceu a Nightmare.

Visual Kei ou ‘Bijuaru kei’ (linhagem visual ou estilo visual) é sem sombra de dúvidas a maior bizarrice do metal mundial. Se você considerava o glam, shock rock ou o black metal como as maiores referências, desculpe te desapontar. Imagine todos esses elementos unidos em um só gênero, acrescente formações musicais distintas, como música clássica, religião, elementos visuais de eras passadas da Europa, punk rock, diversos subgêneros do metal e muita androginia. Não dá pra imaginar né? Se te conforta, Nightmare é uma das bandas mais leves do gênero, tanto no visual quanto na sonoridade. Uma bom começo para entender esse universo tão confuso. Musicalmente, o som é extremamente bem trabalhado, a mistura é sempre bem vinda, e diferente do ocidente, banda que tenta adquirir fama só pelo visual não conquista público. O negócio aqui é ser estranho e ter um som de qualidade.

Após a Nightmare tive contato com a X-Japan, considerada uma das criadoras do gênero. O som era até legal, mas ali faltava algo. Faltava um pouco de eletrônica ali. Decidi então ir mais fundo no gênero, e foi aí que conheci aquela que considero a melhor banda do Japão: The Gazette.

“Stacked Rubish” (2007) foi o meu primeiro contato com a banda. Se tornou meu disco favorito, completo. Nele, há traços de hip-hop, metais com passagens rápidas, quebras de ritmo e até uma baladinha grudenta. É um disco sujo, a sujeira na Beleza (Filth in the Beauty). Visualmente, a banda foi se reinventando a cada disco, com altos e baixos no quesito bizarrice. A presença do hip-hop me fez ir além do Visual Kei. Acabei dando de cara com um som extremamente obscuro e pesado. A banda que tenho certeza que pronuncio errado até hoje: MUCC.

MUCC é conhecida como uma banda metamórfica. Sem gênero, experimental. A faixa ‘Libra’ é o nu metal americano com essência japonesa, mas com uma obscuridade extrema. Jamais o nu metal do ocidente seria capaz de produzir algo assim. É único.

Um ciclo sem fim (8)

Acompanhei parte da evolução do som oriental nos últimos dez anos e posso dizer, agora com propriedade que é muita bizarrice junta! Musicalmente falando, as bandas na grande maioria, são tecnicamente fantásticas e claramente se percebe que de um disco para o outro, se transformam em algo completamente novo. A inserção de elementos de diferentes idiomas e culturas é a cereja do bolo, permitindo a criação de infinitos gêneros e subgêneros.

Eu poderia citar aqui milhares de bandas que conheci durante minha ‘viagem sonora’ no oriente. Pretendo em breve, trazer mais conteúdo musical não só do rock japonês, mas também do k-pop coreano e o metal chines (sim, a coisa tende a ficar pior). Abaixo, deixo uma lista de ‘menção honrosa’ a algumas bandas que conheci nesse longo caminho.

  • Abingdon Boys School (J-Rock)

  • Aldious (Power Metal)

  • Danger Gang (Visual Kei)

  • Dir en Grey (Visual Kei)

  • Girugamesh (Metal Industrial)

  • Granrodeo (Power Metal)

  • Head Phones President ( Nu Metal – Essa canta só em inglês)

  • High and Mighty Color (J-Rock)

  • Kuroyume (Punk Rock)

  • Luna Sea (Visual Kei)

  • Orange Range (J-Rock)

  • Sug (Oshare Kei, um Visual Kei Restart)

  • Versailles (Visual Kei ~ é benino ou benina?)

Tags : japãojpjrockthe gazettevisual kei
lucasdepaes

O autor lucasdepaes

Ex garoto de programa, publicitário e criador do @sonoramus