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A arte de rebobinar fita cassete com caneta Bic

Sonora.Mus- Tape

Se você teve contato recente com Guardiões da Galáxia e 13 Reasons Why, percebeu que parte da trama de ambas as produções tinham relação com um curioso objeto: a fita cassete. Pra vocês Milleniuns, pode se tratar de uma mera velharia, mas a relação desse objeto com a minha geração e algumas anteriores é mágica ♥.

Lá vem o tiozão falar de velharia…

Meu primeiro contato com esses fantásticos objetos sonoros foi na minha infância, não lembro exatamente qual era minha idade na época. Lembro detalhadamente do fantástico tocador de vinis e fita cassetes da Magnavox, que havia perdido a tampa de acrílico durante uma faxina. Raridade que minha mãe vendeu alguns anos depois pela bagatela de 100 reais (cara, como eu invejo até hoje esse comprador!).

Além dos vários discos, havia naquela coleção sonora várias fitas, algumas originais! Lembro de várias dessas eram de cantores sertanejos, coletâneas românticas internacionais e grupos evangélicos, um mix bem curioso. Apesar de nenhuma daquelas ser minhas, acabei criando um grande afeto por elas. Capacidade de armazenamento de até 120 segundos, divididos entre lado A e lado B. Era necessário ir até o fim de um lado para ouvir o outro do início, o famoso rebobinar (que para acelerar o processo, usávamos um “hack” com uma caneta Bic). As fitas cassetes eram uma febre. Imensos vinis davam lugar a pequenas fitas (que tem gente que ao invés de ouvir, prefere fazer chá) capazes de carregar suas músicas para qualquer lugar. Era realmente fantástico!

Alguns anos depois, a paixão pelas fitas se tornou algo ainda maior. O motivo? Meu primeiro tocador de fitas portátil.

Walkman: O mp3 de fita cassete

Sony Walkman preto, edição especial da copa do mundo de 1998, na França. Eu realmente não faço ideia de como esse aparelho foi parar em minha casa, mas na minha cabeça infantil da época, criei a ideia de que havia sido uma herança de meu falecido pai (o que hoje percebo que não fazia sentido algum, pois meu pai havia falecido em 1991, sete anos antes do lançamento do produto), embora fictícia, ainda gosto de pensar que era real.

Minha primeira fita cassete foi algo que jamais recomendaria a qualquer criança no mundo: Mamonas Assassinas. Não lembro quem me deu tal presente, provavelmente um dos meus tios zoeiros, que às vezes gostavam de implicar com a religião da minha mãe. O mais curioso dessa história é que ela nunca me proibiu de ouvir, e muitas vezes inclusive ouvia comigo. Jamais conversávamos sobre as letras, mas algumas a gente até cantava junto. Mais uma prova que a década de 90 era bizarra.

Mamonas Assassinas moldou meu caráter musical, a diversidade sonora de suas músicas é a melhor explicação para descrever aquela famosa pergunta “O que você gosta de ouvir?”, afinal, que banda no mundo misturou Rush com música sertaneja e Netinho com hardcore? (Pensando bem, acho que eu fui na verdade é estragado pelo som deles ).

A primeira pirateada a gente nunca esquece

Quando um pai ou avô solta aquela frase “Na minha época…”, a gente costuma torcer o nariz e já senta pra longa história. Me sinto orgulhoso por fazer parte de uma geração que cresceu em meio à uma transição do “tempo pra tudo”, para o “tem que ser agora”. Vocês Milleniuns são bem chatinhos às vezes! “A internet tá lenta hoje”, “Custei a achar essa música”, “Eu quero agora!”. Cara, como isso me irrita! A geração anterior a minha mal tinha telefone fixo em casa. Vida tão fácil e “ceis” reclamando de coisa boba.

Tá, o parágrafo anterior foi meio agressivo, desculpa. Acho que estou virando o tiozão da nostalgia. Tudo isso pra falar sobre o mágico botão REC. Imagine o seguinte contexto: Você está em casa ouvindo rádio e toca uma música que você gostou tanto que gostaria de tê-la para ouvir quando quiser. PORÉM, você está em meados dos anos 90 e não tem internet em casa. Comprar o disco é uma alternativa, mas brasileiro como somos, queremos dar um jeitinho. O jeitinho na época, não era tãao fácil assim…

Primeiro era necessário um rádio que tocasse fitas e tivesse a tal funcão REC. Segundo, ter uma fita cassete virgem ou com alguma fita cassete vazia ou com músicas ruins que facilmente você apagaria de seu computador nos dias atuais. E por fim, ter uma capacidade de timing sobrenatural. O motivo? Era necessário acertar exatamente o momento no qual a música ia iniciar na rádio e apertar o REC. AH, e sem acesso a programação. Reclama mais da internet lenta, reclama!

A nostalgia é o suficiente

Embora seja mágico o sentimento, não era tão legal assim. Reprodutores imensos, mídias caras, alto consumo de pilhas e muitos outros fatores que foram extintos com o tempo no decorrer da evolução da tecnologia. Sem falar na qualidade horrível de som que as fitas possuíam. Voltaria no tempo das fitas cassetes? Jamais! Com o advento da internet e uma infinidade de reprodutores digitais? Não obrigado. Estou muito bem por aqui.

 

 

 

 

Tags : fita cassetenostalgiasenta que lá em históriawalkman
lucasdepaes

O autor lucasdepaes

Ex garoto de programa, publicitário e criador do @sonoramus
  • Mariana Maiz Pirolo

    EU também usei muito a fita cassete. Essa odisseia que era esperar a música preferida tocar na rádio pra apertar o REC foi parte da minha adolescência. Hoje é tão mais fácil…
    Beijos
    Mari
    http://www.pequenosretalhos.com

    • Mariana, era uma luta! Foi como eu disse, sinto uma certa nostalgia, mas não tenho vontade alguma de voltar naquela época rs’
      Beijo!

  • Luana Souza

    Infelizmente, não realizei o sonho de ter um Walkman… acho que nem é da “minha época”, mas eu ainda sonho com um pois acho fitas e tudo que envolva coisas antigas muito legal 🙂

    Alguns fragmentos da minha infância me remetem a uma caixa cheia de fitas, mas a única que eu escutava era uma de Sandy e Junior. Fico triste só de lembrar que minha mãe jogou todas fora quando nos mudamos </3

    • Confesso que minha paixão pelas fitas cassetes foi meio que ofuscada pelos vinis. Eu sou doido pra comprar um toca discos e começar uma daquelas coleções de encher fileiras e fileiras de armários.

      [Que fique entre a gente] Eu já fui em um show de Sandy e Junior quando era criança. Nunca tive nada deles, mas sabia todas as músicas de cor e salteado hahaha.

      Abraço!