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Resenhas

[Resenha] Far From Alaska – Unlikely

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Dentre as bandas dessa nova geração rockista, a Far From Alaska é uma das minhas favoritas. Definida pelos próprios membros como “stoner universitário”, a banda não economizou esforços para seu segundo disco e foi gravar Unlikely na gringa.

O projeto só foi possível graças aos fãs da banda, que por meio do Kikante, ajudaram a banda na nova empreitada. O disco teve a produção de ninguém mais, ninguém menos que Sylvia Massy. Pra você que não faz ideia de quem é a tia, Sylvia trabalhou em uma c***lhada de bandas fodas, como ToolSystem of a DownQOTSAFoo Fighters e muitas outras.

Um doce desconforto

Antes de falar do miolo desse disco, precisamos falar da produção visual apresentada aos fãs desde o inicio da gravação. Que identidade foda! O uso de cores vibrantes e desenhos dignos de belas tatuagens, o hype já era real antes mesmo de um teaser do disco.

Algo que também deve ser destacado, é o caminho utilizado para gerar o nome das faixas: just one word. A única banda que eu me lembro de ter feito algo parecido até hoje, foi o Nine Inch Nails com aquele bizarro disco Ghosts I-IV.

A medida em que a banda divulgava o nome das faixas através das redes sociais, realmente parecia que cada uma carregaria o nome de um animal, até que o nome da oitava faixa foi divulgada: Pizza. Nesse ponto a coisa desandou e gerou tal doce desconforto, citado anteriormente.

Sente que lá vem a pedrada!

Unlikely é realmente uma bela pedrada indo na direção de uma vidraça novinha, daquelas que o vidro não é temperado e vai se partir em milhares de pedacinhos com o impacto. Cobra é o primeiro impacto em um groove pesado de baixo e batera que estoura em um combo de voz e guitarra nervoso. Essa foi a escolhida como single, e ganhou alguns dias antes do lançamento do disco um clipe cheio de efeitos like a 90’s.

Bear inicia metaforicamente com um brame de um urso. A faixa dá uma descarregada na velocidade e aposta em um stoner pesado com leves e divertidas distorções nas vozes.

Já em Flamingo, a coisa dá uma migrada para o pop sem perder o peso e ainda ganha um oioioi grudento. Pig carrega uma leve semelhança de guitarras com Politiks, faixa do primeiro disco. O refrão tem uma bela explosão de voz e reafirma a incrível qualidade vocal de Emily.

Elephant carrega uma aura meio inspirada naquelas músicas tradicionais indianas. Pelo nome dado a faixa, eu esperei um “peso” maior, mas o resultado final é bem satisfatório.

Monkey começa como quem não quer nada e logo solta um insano slap bass seguido de um refrão impactante. No miolo, a primeiro momento você pode achar que seu disco deu uma travada sinistra, mas é intencional. Destaque para a cremosa e doce voz de Cris, que se destaca muito nessa faixa.

A curiosa Pelican tem um refrão repetitivo e chiclete, e ganha mais pontos ainda pelas suas transições e disritmia. Pizza tem um recheio que é praticamente uma faixa dentro de outra. Um sanduíche sonoro.

Armadilo dá uma leve acalmada nos nervos, mas com um sutil toque de stoner. Rhino é outra faixa com um refrão marcante e riffs deliciosamente distorcidos.

Na reta final do disco, Slug é uma faixa linear. Inicia calma, se excede e encerra em uma distorcida calmaria. Destaque para a reverberação do backing vocal ao fundo de alguns trechos. Fechando o disco, temos Coruja. Se você esperava uma faixa leve para encerramento, se enganou profundamente. Inicialmente até engana, mas o miolo dessa é extremamente animado.

Então?

Unlikely é com certeza um delicioso segundo disco. Dá pra perceber todo o aprendizado desde o surgimento da banda em 2012. Embora ainda bem novinha, a Far From Alaska já está entre as maiores bandas rockistas do cenário nacional e quiçá um dia será também lá fora.

Tags : 2017far from alaskaresenhaunlikely
lucasdepaes

O autor lucasdepaes

Ex garoto de programa, publicitário e criador do @sonoramus